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Publicado em Dra. Isabelle Oliveira - Nutrição Estratégica

O que determina se o corpo usa gordura ou carboidrato durante o pedal?

20 de julho de 2026

Banner O que determina se o corpo usa gordura ou carboidrato durante o pedal?

Durante um pedal, a produção de energia depende de diferentes vias metabólicas que trabalham de forma integrada. No entanto, existe uma ideia bastante difundida de que o organismo "escolhe" entre utilizar gordura ou carboidrato como combustível, como se apenas um deles estivesse ativo em determinado momento.

Na realidade, essa escolha é muito mais dinâmica.

Os dois substratos participam simultaneamente da produção de energia, mas a contribuição de cada um muda continuamente conforme a intensidade do exercício, a duração do esforço, o estado nutricional e o nível de treinamento do ciclista.

Intensidade é um dos principais determinantes

Quanto maior a intensidade do exercício, maior é a necessidade de produzir ATP rapidamente. Nessa situação, o carboidrato passa a ser o principal combustível, pois sua degradação consegue atender essa demanda energética de forma mais eficiente do que a oxidação de gordura.

É por isso que esforços como acelerações, ataques e subidas íngremes dependem predominantemente das reservas de glicogênio muscular.

Por outro lado, em intensidades moderadas ou baixas, a necessidade imediata de energia é menor. Isso permite uma participação mais expressiva da gordura como fonte energética, preservando parte dos estoques de carboidrato para momentos em que eles realmente serão necessários.

O treinamento modifica esse comportamento

Uma das adaptações mais importantes promovidas pelo treinamento de endurance é o aumento da flexibilidade metabólica.

Com o tempo, o organismo se torna mais eficiente em oxidar gordura mesmo em intensidades relativamente mais elevadas, reduzindo a dependência precoce do glicogênio muscular.

Essa adaptação está relacionada ao aumento da densidade mitocondrial, da atividade enzimática oxidativa e da capacidade de transportar ácidos graxos para o interior das mitocôndrias, onde ocorre sua utilização para produção de energia.

Na prática, isso significa que dois ciclistas pedalando na mesma potência podem utilizar proporções diferentes de gordura e carboidrato, dependendo principalmente do condicionamento físico.

Alimentação também influencia essa resposta

A disponibilidade de carboidratos antes e durante o exercício modifica a forma como o organismo produz energia.

Um ciclista que inicia um treino com estoques adequados de glicogênio responde metabolicamente de maneira diferente daquele que inicia o exercício após um período prolongado de jejum ou com baixa ingestão de carboidratos.

Da mesma forma, a ingestão de carboidratos durante pedais longos ajuda a manter a oferta de glicose para o músculo, reduzindo a necessidade de utilizar exclusivamente as reservas corporais.

Isso não impede a utilização de gordura. Apenas altera a participação relativa de cada combustível ao longo do exercício.

Não existe um combustível "melhor"

Frequentemente, gordura e carboidrato são apresentados como se fossem estratégias opostas.

Na verdade, ambos exercem funções complementares.

A gordura fornece uma reserva energética praticamente inesgotável para sustentar exercícios prolongados, enquanto o carboidrato permite produzir energia rapidamente quando a intensidade aumenta.

Um sistema metabólico eficiente é justamente aquele capaz de alternar entre esses combustíveis conforme a necessidade do momento.

Conclusão

Entender como o organismo utiliza seus diferentes combustíveis ajuda a compreender por que a nutrição vai muito além da quantidade de calorias ingeridas.

No ciclismo, desempenho não depende apenas da quantidade de gordura que o atleta consegue utilizar, nem exclusivamente dos estoques de glicogênio. O que realmente faz diferença é a capacidade de utilizar cada fonte de energia no momento em que ela é mais necessária.

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