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Durante muito tempo acreditou-se que sentir enjoo, estufamento ou desconforto gastrointestinal durante pedais longos era simplesmente "normal". Hoje sabemos que, em muitos casos, esses sintomas não acontecem porque o ciclista come demais, mas porque o intestino ainda não foi treinado para lidar com aquela quantidade de carboidrato.
Assim como músculos, coração e pulmões se adaptam aos estímulos do treinamento, o sistema digestivo também pode ser condicionado.
Em provas e treinos longos, o objetivo é fornecer energia continuamente para manter a intensidade do exercício e retardar a fadiga. No entanto, existe um limite para a velocidade com que o organismo consegue absorver carboidratos.
Quando o consumo ultrapassa essa capacidade, parte do carboidrato permanece no intestino, aumentando a concentração de partículas naquele local. Isso favorece a entrada de água para o lúmen intestinal, podendo causar sensação de estômago pesado, cólicas, náuseas e até diarreia.
Esse limite, porém, não é fixo.
Com exposição frequente às estratégias nutricionais utilizadas em treino, ocorre aumento da eficiência na absorção intestinal, principalmente por adaptações nos transportadores responsáveis pela entrada da glicose e da frutose.
Em outras palavras: o intestino aprende.
Um erro bastante comum é consumir pequenas quantidades de carboidrato durante todo o período de treinamento e, no dia da competição, tentar ingerir o dobro ou o triplo da quantidade habitual.
O organismo simplesmente não está preparado para isso.
Treinos longos são excelentes oportunidades para praticar exatamente a estratégia nutricional que será utilizada na prova.
Isso inclui:
Quanto mais semelhante for o treino à competição, menor tende a ser o risco de desconfortos gastrointestinais.
Treinar o intestino não significa consumir carboidratos indiscriminadamente.
O objetivo é aumentar gradualmente a capacidade de absorção, permitindo maior oferta de energia sem gerar desconforto digestivo.
Essa adaptação é especialmente importante para ciclistas que realizam provas longas, nas quais pequenas diferenças na disponibilidade de energia podem representar grandes diferenças no desempenho.
Performance não depende apenas de pernas fortes.
Ela também depende de um sistema digestivo capaz de entregar ao organismo toda a energia necessária durante horas de esforço.
Por isso, a estratégia nutricional deve fazer parte do treinamento tanto quanto os quilômetros percorridos.